sábado, 12 de janeiro de 2013

ARTE + COTIDIANO - Edição número 8

As experiências sensoriais da arte podem se entrelaçar a qualquer momento com os instantâneos de nosso cotidiano. Como podemos relacionar as artes visuais com as experiências do cotidiano? Quais são os elementos marcantes nas artes visuais que podem ser percebidas nos eventos diários ou na história? Através da série de artigos ARTE + COTIDIANO propomos um exercício de percepção, de sensibilidade... de arte! Estimular o pensamento por conceito. Trabalhar a mente para fazer analogias. Ampliar sua criatividade. Em tudo enxergar a arte! A seguir, o Número 8 !


Alceu Penna
O brasileiro ilustrador e estilista que marcou uma época!
São muitos os talentosos artistas que criaram modas e criam até hoje! Alceu Penna foi um desses! 
 
Mineiro, nascido em Curvelo em 1915, Alceu Penna já gostava de desenhar desde a infância. Com o giz de alfaiate, emprestado de seu vizinho, Alceu Penna fazia desenhos nas calçadas de sua cidade e, na escola, seu traço já era admirado. Anos depois, em 1932, foi para o Rio de Janeiro, estudou Arquitetura e, em seguida, passou a criar cartazes e cenários para os shows do Cassino da Urca.
 
Em 1933, passou a fazer ilustrações para a revista O Cruzeiro e, em 19 de novembro de 1938, as chamadas Garotas do Alceu ganhavam as páginas da revista, influenciando as jovens brasileiras que, fascinadas pelos modelos criados pelo artista, tentavam vestir-se e pentear-se da mesma maneira.
 
  
 
As Garotas do Alceu eram irreverentes, alegres, cheias de charme e procuravam retratar a realidade e os desejos das mulheres da época. As legendas tinham bom humor e as garotas revelavam-se maliciosas nas frases de colaboradores como Accioly Neto, Edgar de Alencar, Maria Luiza Castelo Branco e Millôr Fernandes, que assinava com o pseudônimo de Vão Gôgo.
 
 
 

Amigo de Carmem Miranda, Alceu Penna criava também figurinos e fantasias e, em 1946, embarcou para Paris como correspondente de moda da revista. Desenhou para O Cruzeiro até 1964, quando, então, tornou-se estilista da Rhodia, criando modelos de roupas para os memoráveis desfiles e shows da empresa. Para o show Momento 68, Alceu Penna criou, em menos de dois meses, cerca de duzentas roupas, participando desde a estamparia até a confecção das mesmas.
O mineiro de Curvelo ilustrou páginas de moda com seus croquis e desenhou também para as revistas A Cigarra e Tricô e Crochê, realizou inúmeros outros trabalhos ainda na década de 1970 e faleceu em 13 de janeiro de 1980, sendo homenageado em 1983 no Palácio das Artes de Belo Horizonte com a exposição Garotas, onde foram exibidos 140 originais da revista O Cruzeiro.
 
 
Em 2004, Gonçalo Júnior publicou a biografia do ilustrador no livro Alceu Penna e as Garotas do Brasil – Moda e Imprensa – 1933/ 1980.
Fonte: Sabino, Marco. Dicionário da Moda. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.
Por :  Arq. Maria Pilar Arantes - Centro de Artes e Design

domingo, 28 de outubro de 2012

ARTE + COTIDIANO - Edição número 7

As experiências sensoriais da arte podem se entrelaçar a qualquer momento com os instantâneos de nosso cotidiano. Como podemos relacionar as artes visuais com as experiências do cotidiano? Quais são os elementos marcantes nas artes visuais que podem ser percebidas nos eventos diários ou na história? Através da série de artigos ARTE + COTIDIANO propomos um exercício de percepção, de sensibilidade... de arte! Estimular o pensamento por conceito. Trabalhar a mente para fazer analogias. Ampliar sua criatividade. Em tudo enxergar a arte! A seguir, o Número 7 !

PIEDADE!!!
A vida, a fotografia e arte em sincronia.


Uma das formas de apresentação (ou, linguagens...) da fotografia contemporânea (veja: UMA DAS...) é a fotografia legalizada como arte e que pode inspirar-se em obras de arte, onde as situações aparecem e podem ser ajustadas para fazer referência às obras conhecidas.

Um fotógrafo que utilizou esta linguagem é Samuel Aranda (1979 - ), de Santa Coloma de Gramanet (Barcelona - Espanha).
Com uma fotografia sua que retratou uma mulher confortando um parente ferido durante os protestos contra o presidente do Iêmen em 2011 (abaixo), publicada no jornal The New York Times, Aranda ganhou o premio “Photo of the Year” pela World Press, em 2011.


A estreita semelhança, tanto visual quanto conceitual com a escultura de Michelangelo, Pietá, impressiona!


Pietá – Michelangelo Buonarotti – 1498-1499 – Basílica de São Pedro – Vaticano.
 

Fonte do tema: Conferência sobre fotografia com Michel Poivert – “A fotografia contemporânea – uma corrente artística ou cultural?” – Florianópolis, Teatro Álvares de Carvalho, 27 de outubro de 2012.

Por: Profa. Arq. Maria Pilar Arantes
Centro de Artes e Design

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

ARTE + COTIDIANO - Edição número 6

As experiências sensoriais da arte podem se entrelaçar a qualquer momento com os instantâneos de nosso cotidiano. Como podemos relacionar as artes visuais com as experiências do cotidiano? Quais são os elementos marcantes nas artes visuais que podem ser percebidas nos eventos diários ou na história? Através da série de artigos ARTE + COTIDIANO propomos um exercício de percepção, de sensibilidade... de arte! Estimular o pensamento por conceito. Trabalhar a mente para fazer analogias. Ampliar sua criatividade. Em tudo enxergar a arte! A seguir, o Número 6 !


Wodiczko e as mulheres de Tijuana


Krzysztof Wodiczko é um artista que faz arte para ser experimentada e vista nas ruas.

Nasceu em 1943, na recém ocupada Polônia pelos soviéticos durante a 2ª Guerra Mundial. Hoje a Polônia é um país independente. Com certeza isso contribuiu para o desenvolvimento de seu senso crítico em relação ao poder e ao abuso.

Krzysztof Wodiczko produz principalmente vídeo projeções em fachadas e monumentos, combinando arte e tecnologia. Desta forma, o artista quer recuperar as ruas da cidade como locais de discussão e debate acalorado – suas projeções duram 1 ou 2 dias.  As temáticas deste artista incluem destacar comunidades sociais marginalizadas e dar legitimidade a questões culturais que muitas vezes são alvo de pouca atenção do design, sociedade e do governo.

Abaixo a projeção do rosto de mulheres que contam, em tempo real, com toda carga de emoção, suas experiências sofridas de vida e trabalho. Mulheres trabalhadoras de uma fábrica em Tijuana.
Através de câmeras apoiadas e voltadas para o rosto das mulheres, imagens eram projetadas em tempo real na cúpula do “Centro Cultural de Tijuana”.

 
 
“The Tijuana Projection," 2001 - Krzysztof Wodiczko
Public projection at the Centro Cultural de Tijuana, Mexico (as part of In-Site 2000)
O artista explica:
“Tijuana. É uma fronteira não apenas entre o México e os Estados Unidos, mas também entre Tijuana e do resto do México, para muitas pessoas que vêm de províncias pobres como Chiapas para tentar avançar a sua vida, movendo para o norte. Eles atravessam a fronteira antes que eles atinjam Tijuana. Essa é a fronteira entre a aldeia feudal e trabalho na fábrica maquiladora como membros de um novo tipo de proletariado industrial. Eles dizem que é se deslocar de um inferno antigo para um novo inferno. Para muitos deles, isso é uma vantagem. Talvez não há nada pior do que ficar no mesmo inferno toda a sua vida longa.”
“Durante a projeção, você podia sentir o tipo de eletricidade e dor entre aqueles que vieram para testemunhar isso. A posição da imagem foi muito especial. Em pé na frente do prédio, vimos o rosto sobre as nossas cabeças falando para nós (como se fôssemos crianças pequenas, pessoas pequenas olhando figuras de autoridade), mas também falar com o resto do mundo. Além disso, o discurso foi direcionado para a multidão, para a fronteira, à San Diego ... na direção dos Estados Unidos”
 
 
 
“Essas mulheres muito jovens trabalham (a esmagadora maioria são mulheres jovens) de maneiras que nem sequer imaginamos. A sua situação é incomparavelmente pior do que qualquer coisa que eu tentei compreender antes. Mas parece-me estar a trabalhar com pessoas que conseguem sobreviver e se curar até o ponto onde eles podem tirar proveito dos meus projetos para fazer outro salto para se reconectar com a sociedade”
Para refletir:
Você conhece quais são as minorias sofridas e exploradas da sua região/ comunidade? Como estas minorias têm procurado comunicar suas dificuldades (ou estão quietas?)? Como a arte poderia denunciar os abusos ou a ignonímia com que estas comunidades estão vivendo? E você...se importa?
 
 
 
Por : Profa. Arq. Maria Pilar Arantes - CENTRO DE ARTES E DESIGN
 
 

sábado, 11 de agosto de 2012

ARTE + COTIDIANO : Edição número 5 !

As experiências sensoriais da arte podem se entrelaçar a qualquer momento com os instantâneos de nosso cotidiano. Como podemos relacionar as artes visuais com as experiências do cotidiano? Quais são os elementos marcantes nas artes visuais que podem ser percebidas nos eventos diários ou na história?
Através da série de artigos ARTE + COTIDIANO propomos um exercício de percepção, de sensibilidade... de arte! Estimular o pensamento por conceito. Trabalhar a mente para fazer analogias. Ampliar sua criatividade. Em tudo enxergar a arte! A seguir, o Número 5 !

O ESPECTADOR DENTRO DA FICÇÃO
Entre os diversos trabalhos que a artista brasileira Regina Silveira tem realizado ao longo dos anos, estão as projeções noturnas sobre cidades como São Paulo, Bogotá (Colômbia) e Lahore (Paquistão). Algumas dessas projeções percorrem as ruas, movimentam-se num percurso que provoca diálogo entre as imagens e os locais pelos quais elas andam.
Na obra Transit, por exemplo, a imagem de um inseto gigante foi vista sobre os prédios da capital paulista. As pessoas que por ali passaram, sentiram a surpresa e a estranheza causada pela visão daquele ser colossal movendo-se pelas paredes, provocando a sensação das imagens vistas em sonhos ou em filmes de ficção.

Regina Silveira. Transit. 2001


 
Na obra Passeio Selvagem, pegadas diversas deslocam-se sobre prédios e ruas. Regina Silveira explica que:
Este trabalho em animação digital deveria mostrar-se como uma espécie de fantasmagoria da luz, onde pegadas super-dimensionadas se sucedessem inexplicavelmente sobre aquelas fachadas, indicando animais ausentes ou invisíveis. Com um padrão de pegadas mais aberto, aparecendo e desaparecendo em sucessão, Passeio Selvagem se mostra como fragmento ou “janela” de uma narrativa maior, em que esta “bicharada” desce das fachadas e dos interiores arquitetônicos, para agora passear pelos muros da cidade e povoar magicamente o espaço urbano (SILVEIRA, 2009)”.
Regina Silveira. Passeio Selvagem. 2009.


Talvez se possa dizer que Regina Silveira elabora fábulas e histórias de ficção urbana, provocando surpresas no cotidiano. Aqueles que têm o privilégio de passar por suas projeções podem sentir-se por alguns instantes como dentro da cena de um filme: segundos de uma aventura naquela que seria apenas mais uma noite rotineira.

REFERÊNCIAS:
              SILVEIRA, Regina. Passeio selvagem. 2009.           reginasilveira.uol.com.br

Profa. Msc. Aletea C. H. Mattes
Coordenadora do Centro de Artes e Design

domingo, 22 de julho de 2012

ARTE + COTIDIANO: Edição número 4

As experiências sensoriais da arte podem se entrelaçar a qualquer momento com os instantâneos de nosso cotidiano. Como podemos relacionar as artes visuais com as experiências do cotidiano? Quais são os elementos marcantes nas artes visuais que podem ser percebidas nos eventos diários ou na história?
Através da série de artigos ARTE + COTIDIANO propomos um exercício de percepção, de sensibilidade... de arte! Estimular o pensamento por conceito. Trabalhar a mente para fazer analogias. Ampliar sua criatividade. Em tudo enxergar a arte!A seguir, o Número 4 !


O SEU OLHAR ESTÁ ATENTO???

Ao nosso redor estão todas as informações que precisamos para ter a tão sonhada "criatividade". Sem informações preliminares, por mais singelas que sejam, não há desdobramentos para novas informações. É a partir da observação da história e do presente que nos lançamos para o futuro.
Os designers de interiores, decoradores, arquitetos precisam aguçar seu olhar para outras esferas do conhecimento, a fim de que o CONCEITO de seus projetos seja cada vez melhor embasado e, como sempre desejado, CRIATIVO!
Esta edição do ARTE + COTIDIANO traz esta reportagem do jornal Folha de SP de 22 de julho de 2012, onde se faz uma pequena abordagem sobre a trajetória do automóvel GOL.
Como um designer de interiores, decorador ou arquiteto pode tirar proveito deste conhecimento? Observe! Observe linhas, proporções, detalhes, e faça uma relação com os objetos e elementos que definem o seu próprio trabalho. Pergunte-se o quanto aquele produto (automóve, no caso) interfere ou reflete o gosto do consumidor. Será que móveis e outros objetos da casa, ou linhas arquitetônicas também estão acompanhando as características daquele produto?
Em nosso entorno estão as informações. Cabe a nós decifrá-las e transformá-las!


Por: Profa. Arq. Maria Pilar Arantes
CENTRO DE ARTES E DESIGN

domingo, 1 de julho de 2012

ARTE + COTIDIANO : Edição número 3

As experiências sensoriais da arte podem se entrelaçar a qualquer momento com os instantâneos de nosso cotidiano.Como podemos relacionar as artes visuais com as experiências do cotidiano? Quais são os elementos marcantes nas artes visuais que podem ser percebidas nos eventos diários ou na história?
Através da série de artigos ARTE + COTIDIANO propomos um exercício de percepção, de sensibilidade... de arte! Estimular o pensamento por conceito. Trabalhar a mente para fazer analogias. Ampliar sua criatividade. Em tudo enxergar a arte!
A seguir, o Número 3 !

Quem está naquela cabine?


              Entre os diversos trabalhos do artista francês Ernest Pignon-Ernest está a série Les cabines. Nesta série o artista faz intervenções em mais de 400 cabines telefônicas. Nas paredes transparentes das cabines são fixados adesivos de desenhos produzidos em tamanho real; são desenhos de pessoas anônimas vistas no cotidiano de qualquer cidade. Com a luz do dia, as imagens se mesclam entre a paisagem e as pessoas que por ali passam. O efeito visual pretendido pelo artista acontece à noite, quando a arquitetura e os transeuntes são escondidos pela escuridão, e a luz das cabines ilumina e destaca os personagens de Ernest Pignon-Ernest.
 
                   Cabine 1, da série Les cabines, 1997          Cabine 2, da série Les Cabines, 1997.

Visualizados sob uma luz fantasmagórica, esses personagens se mesclam ao mundo real e podem ser confundidos com pessoas. Em entrevista para a revista francesa Art Absolument, o artista esclarece que:
“Meu trabalho é capturar um pedaço do real (tempo e espaço) no qual eu insiro um elemento de ficção. Na maioria das vezes, é uma imagem que irá trabalhar o real tanto plasticamente (tornando o local um espaço estético), como no seu simbolismo e na sua memória (revelando, revivendo, exacerbando, provocando seu potencial sugestivo...)."
Uma cabine telefônica é um local contraditório, onde um indivíduo entra para se isolar do exterior, ao mesmo tempo em que deseja se comunicar com alguém que está lá fora; na cabine de paredes transparentes o indivíduo está protegido, mas completamente exposto. Os seres colocados pelo artista nas cabines evidenciam essa situação ambígua, pois apresentam algumas das contradições da vida contemporânea: estão simultaneamente em situação de abrigo e desconforto, proteção e confinamento, isolamento e exposição, sono e insônia.
Você já se sentiu assim? Então a arte de Ernest Pignon-Ernest também fala com você!
Referência:
PIGNON-ERNEST,Ernest.Paroles d'artistes. In: Art absolument, nº17, 2006.
www.pignon-ernest.com

Por:
Profa. Ms. Aletea Hoffmeister Mattes
Coordenadora do Centro de Artes e Design

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Curso de Decoração de Interiores Presencial - MATRÍCULAS ABERTAS

Matrículas abertas para o curso presencial de DECORAÇÃO DE INTERIORES.
Acesse o site do Centro de Artes e Design - www.artesedesign.com.br e saiba mais informações.
Para receber a ficha de matrícula, escreva para cursos@artesedesign.com.br